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quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Brasil consumidor




Num estudo iniciado em 2004 chamado Visão 2025 se colocava, como desafio possível, um aumento até esse ano, do consumo de vinhos e espumantes de 1,8 litros/ano por habitante para 9 litros.

As ações propostas eram nas áreas de tecnologia, mercado, legislação e logística com seus respectivos projetos e subprodutos.

Claro que estimar um crescimento tão grande no consumo por habitante foi um exercício de futurologia que tinha pouco de real.

Mais uma vez se concretizou uma velha realidade: o papel aceita tudo, planejar é uma coisa, executar é outra.

De 2000 a 2015, o consumo caiu ligeiramente e nos mantemos no constrangedor consumo inferior a 2 litros anuais.

Mais que um projeto foi um sono, que não se transformou em realidade, porque pouquíssimo do que foi proposto, foi feito ou conseguido. Para citar um exemplo de uma variável fundamental, a carga tributária aumentou consideravelmente assim como reduzidos os prazos para pagamento dos mesmos. Isto tirou competitividade afetando o desempenho.

Creio que o principal problema do baixo consumo é cultural. O brasileiro, de modo geral, não é um consumidor de vinhos porque não conhece, porque não se identifica com o produto e porque está habituado a beber outros produtos.

Todos estamos carecas de saber que uma cultura se muda ao longo dos séculos, e somente acontece quando se oferecem alternativas mas atrativas e acessíveis.

Nos países tradicionais o consumo de vinho é uma herança familiar, faz parte da cultura gastronômica. A garrafa de vinho e a cesta de pão são os primeiros a chegar na mesa. E por isso, o consumo é forte, sólido. Quem bebe uma taça por dia, consome quase 40 litros anualmente.

Que foi feito no Brasil para que o vinho faça parte da cultura dos brasileiros?
Nada, absolutamente nada.

Tens pessoas que afirmam que a cerveja não é concorrente. É concorrente sim, porque é a principal bebida “cultural” da qual o vinho terá de tirar espaço.

Infelizmente as entidades representativas do setor não percebem que é necessário iniciar um trabalho forte e constante, incansável, para atrair novos consumidores.

Atrair quem bebe cerveja, quem bebe destilados, quem nada bebe. Nenhuma bebida junta os atributos que o vinho e o espumante tem.

A diferença é que enquanto as outras investem continuamente em mídia pesada, o setor do vinho repete as velhas ações com feiras e degustações dirigidas ao mesmo público, muitas delas com o objetivo de enaltecer o produto nacional. Nestas ações o foco é ganhar espaço dos importados como se fossem eles os concorrentes.
E não são. Estão do mesmo lado, por isso é necessário juntar-se a eles para ganhar força.

Temos de aumentar o mercado, ganhar novos adeptos, abrir espaços para que todos cresçamos.

Divididos, separados, não teremos capacidade financeira para isso. Unidos e focados, talvez sim.

O setor tem de promover um grande encontro com autoridades, importadores, comerciantes e produtores nacionais e estrangeiros, com o objetivo de criar um plano a longo prazo de ampliação de mercado. Sem desconfianças, sem estrelismos, sem egoísmo.

Estarmos dispostos a investir em recursos a serem aplicados principalmente em mídia nacional, que ressalte a instituição vinho e sua relação com as pessoas.

Se não for feito isto, em 2015 continuaremos ainda com menos de 2 litros, alguns se lamentando por venderem menos, outros alegres porque venderam mais.

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