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segunda-feira, 21 de março de 2011

Seco ou demi


O Brasil é um dos poucos países do mundo onde o aumento de consumo de vinhos finos se deu pela via dos adocicados. Na década de sessenta, o Mateus Rosé português foi a fonte inspiradora dos rosados suaves nacionais ligeiramente gaseificados muito bem representados pelo Château Duvalier, campeão de vendas na época. Apesar do preconceito que este vinho provocou, outras formas de atender esse consumidor se seguiram: o branco tipo alemão representado pelo Lieubfraulmich da Dreher e mais recentemente a linha Almadem. A forma mais fácil e rápida para atrair o novo consumidor pouco acostumado aos sabores próprios do vinhos é através deste tipo de produto. Com o tempo, os apreciadores aprimoram seu paladar e passam a consumir vinhos secos brancos e tintos.
Por conta desta situação a legislação brasileira foi adaptada à mundial com algumas variações: o teor máximo de açúcares permitido nos vinhos secos é de 5 gramas por litro, na mundial 3, e acima disto devem ser chamados de demi-sec com açúcar entre 5,1 e 20 gramas.
Porque o vinho seco pode ter açúcar até esse limite? O critério utilizado, a exemplo da legislação mundial, é que o consumidor deve ser informado do “sabor” do vinho e não do teor de açúcar. Estudos científicos demonstraram que o umbral que separa o sabor seco do adocicado esta situado entre 4 e 5 gramas de açúcares por litro para os vinhos tranqüilos, ou sem gás. Quase todas as pessoas começam a perceber a diferença neste limite e por isso a lei permite que os vinhos chamados secos tenham esse teor máximo.
Certo, errado? É um critério que atende a expectativa dos consumidores em relação ao gosto, mas devemos admitir que prejudica o diabético.
A venda de vinhos adocicados tipo demi-sec, suave ou doce em outros países em especial os tradicionais como Itália, França, Espanha e Portugal é quase nula, e por tal razão seus produtores não são obrigados a colocar a informação do tipo no rótulo principal, aquele que vai na parte frontal da garrafa. Lá todos são secos. Quando alguns vinhos destes países, adocicados especialmente para atender o mercado do Brasil são exportados, a informação do tipo em relação aos teores de açúcares não consta na frente e sim atrás, numa etiqueta onde são colocadas uma infinidade de informações obrigatórias para entrar.
Já aconteceu com você, de solicitar ou adquirir um vinho, em especial importado, e ao degustá-lo perceber que ele não é seco? E ao ler o rótulo e o conta-rótulo não descobrir nada e ao insistir lendo uma etiqueta minúscula, em letras bem pequenas, entre o CNPJ e o endereço, que o vinho é demi? Pois é, acaba de ser outra vítima da legislação nacional de vinhos que permite que a declaração do tipo de vinho em relação aos teores de açúcares, seja colocada numa etiqueta e não no rótulo principal como é exigido aos vinhos nacionais.
Por tudo isto, se você não aprecia vinhos adocicados, tome cuidado ao adquirir vinhos importados de preços convidativos.
Leia atentamente a etiqueta em português. Busque a informação da classificação em relação aos teores de açúcares no tipo de vinho constante na frase: “Vinho Tinto Seco Fino”. Se aceitar somente a informação do rótulo principal pode ser dar mal e ter de devolver ou consumir algo que não pediu.

Um comentário:

cogito ergo sun disse...

Olá Adolfo,
Parabéns pelo seu blog. Não entendo muito de vinho, mas gosto muito de apreciá-los. Recentemente comprei vinho mais artesanal em garrafões, minha pergunta é: Como devo manter armazenado esses garrafões??? deitados também?? Faz diferença colocá-los numa altura elevada em relação ao solo (já que normalmente as pessoas armazenam na cozinha onde a temperatura na parte superior é maior que na inferior devido a processos de cozimentos, onde vapores se acumulam proximo ao teto) ou no solo????

Agradeço desde já.